Black Friday: Origens, Evolução e Estratégias do Maior Evento de Varejo Global
Introdução
A Black Friday se consolidou como uma das principais datas do varejo mundial, marcando um momento estratégico para empresas e consumidores. Este artigo examina o que é a Black Friday, como surgiu nos Estados Unidos, como foi adotada no Brasil, quais são as táticas comumente empregadas pelas empresas e quais os impactos e desafios associados à data. Estando você no mercado ou simplesmente buscando entender esse fenômeno, compreender seus mecanismos é fundamental para atuar de forma estratégica.
O que é a Black Friday?
A Black Friday é tradicionalmente o dia de grandes promoções e liquidações realizado na sexta-feira seguinte ao feriado de Thanksgiving nos Estados Unidos, dando início à temporada de compras de final de ano.
Empresas aproveitam essa data para estimular o consumo, reduzir estoques e aumentar o faturamento, enquanto consumidores buscam descontos significativos.
Como surgiu: Origens nos EUA
A origem da expressão “Black Friday” e da prática está cheia de interpretações:
Na década de 1960, na cidade de Filadélfia, a polícia usou o termo para descrever o congestionamento e a multidão causados pelo fluxo de pessoas e compras no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças.
Na década de 1980, o varejo norte-americano começou a promover a data como ponto de viragem: “sair do vermelho” (prejuízo) e voltar para o “preto” (lucro) — daí o termo “black” (preto) vinculado às vendas.
Outra raiz apontada está no crash financeiro da quinta-feira negra (24 de setembro de 1869) em Nova York — embora não esteja diretamente vinculada ao varejo, ilustra o uso histórico da expressão “Black Friday”.
A chegada da Black Friday no Brasil
No Brasil, a Black Friday foi adotada a partir de cerca de 2010, inicialmente no comércio online.
Desde então, ela se expandiu para o varejo físico e para longas campanhas de novembro (“Black November”), adaptadas à realidade brasileira.
Importantes pontos do contexto brasileiro:
O calendário brasileiro de promoções faz da Black Friday uma data estratégica antes do Natal, com participação de varejistas e plataformas de e-commerce.
Em estudos recentes, o Brasil apresentou crescente volume de buscas pelo termo “Black Friday”, o que reforça o engajamento do consumidor nacional.
O que as empresas fazem: estratégias comuns

Para aproveitar a Black Friday, as empresas implementam diversas táticas, dentre as quais:
Descontos agressivos e pacotes promocionais: Antes da data, preparação de estoques e oposição à sazonalidade.
Campanhas digitais intensificadas: Uso de mídia social, e-mail marketing, remarketing e influenciadores para gerar tráfego e conversões.
Antecipação e prolongamento da promoção: No Brasil, não raramente as ofertas começam antes ou se estendem por todo o mês de novembro – criando o conceito de “Black November”.
Logística e experiência de compra melhoradas: Diante do aumento de demanda, cuidados com estoque, entrega rápida, e interface de compra fluida.
Compromisso com a confiança do consumidor: Dado o histórico de práticas questionáveis — como “aumento de preço antes da promoção” — muitos varejistas e órgãos reguladores brasileiras monitoram reclamações e divulgam boas práticas.
Impacto no Brasil: números e tendências
Alguns dados que ajudam a dimensionar a relevância da Black Friday no Brasil:
Em 2018, a data registrou faturamento de R$ 2,6 bilhões somente no e-commerce brasileiro.
O Brasil alcançou posição de destaque nas buscas pelo termo “Black Friday”, ultrapassando outros países em determinados períodos.
O evento ajuda a mobilizar o calendário de varejo nacional, influenciando estratégias de marketing digital, promoções, logística e comportamento do consumidor.
Desafios e boas práticas
Apesar das oportunidades, a Black Friday também traz desafios:
Promessas exageradas ou enganosas: Consumidores e órgãos reguladores apontam a prática de “maquiagem” de preços antes da promoção como fator de desconfiança.
Pressão logística e de entrega: A elevada demanda exige planejamento para evitar falhas na entrega, devoluções e reclamações.
Saturação e perda de impacto: Com a antecipação e extensão das promoções (ex: “Black November”), há risco de diluir o efeito original da data.
Segmentação e personalização ineficiente: Para aproveitar bem a data, é preciso ir além de descontos — oferecer experiência, atendimento e fidelização.
Perspectivas para o futuro
O evento continua evoluindo e algumas tendências merecem atenção:
Integração omnichannel: Combinar online, mobile e loja física para oferecer uma experiência fluida.
Uso de dados e personalização: Quanto mais a empresa souber sobre o cliente, mais poderá ofertar de forma relevante durante a Black Friday.
Sustentabilidade e consumo consciente: Consumidores mais informados demandam transparência, ética nas promoções e práticas sustentáveis.
Extensão da data e novas formas de ativação: O conceito original de um único dia está se transformando em campanhas de semanas ou meses, o que exige novas formas de comunicação e engajamento.
Conclusão
A Black Friday evoluiu de uma expressão usada para descrever caos de tráfego em uma cidade americana para um dos principais motores de vendas globais. No Brasil, tornou-se parte estratégica do calendário varejista, impulsionando tanto o comércio online quanto físico. Para as empresas que desejam realmente aproveitar essa data, o caminho passa por planejamento, ética nas ofertas, excelente experiência de compra e diferenciação. Com o consumidor cada vez mais exigente, a Black Friday continuará sendo uma vitrine de oportunidades — para quem souber aproveitar com responsabilidade e inteligência.

